segunda-feira, 19 de março de 2012

'Artigo raro', Fellype amplia fama de 

 

carrasco do Vasco e vira referência

 

Com gols sobre o rival nos tempos de Flamengo e Portuguesa, meia tem disciplina elogiada por Oswaldo: 'Que sirva de exemplo aos companheiros'

Por André CasadoRio de Janeiro
A contratação de Fellype Gabriel foi a maior vitória do Botafogo para Oswaldo de Oliveira neste início de temporada. O trabalho com o meia por dois anos no Japão tornou o técnico fã de seu futebol, não apenas por sua técnica, mas também pela dedicação tática, algo raro no Brasil quando se fala de jogadores ofensivos. Não fossem pelos três gols sobre o Vasco, domingo, no Engenhão, o camisa 11 teria tido uma atuação discreta, já que o empenho na marcação o fez tocar menos na bola do que o costume para uma peça de seu setor.
- Ele ajuda no que estou querendo implantar. É dedicadíssimo, tem potencial técnico excelente, finaliza bem e conseguiu se adaptar bem à função que eu gosto que ele exerça. Teve dificuldades lá (no Japão) no início, mas superou tudo e, no fim, fazia melhor até que os japoneses essa característica de marcar e atacar. Independentemente dos gols, foi extremamente competitivo, e é isso que quero de meus jogadores. Em se mantendo, espero que interfira na concepção tática dos jogadores e motive todos a fazerem isso. Não é porque se expõe, marca, que vai deixar de ter presença na área. Foi uma grande demonstração de que não é preciso dar ouvidos a quem diz que o brasileiro não sabem fazer isso, só os estrangeiros - argumentou Oswaldo.
fellype gabriel botafogo x vasco (Foto: Fernando Soutello/AGIF)Fellype Gabriel marcou os três gols e foi exaltado pelo empenho na marcação  (Foto: Fernando Soutello/AGIF)
No primeiro tempo, o Alvinegro atacou bem mais pela direita, com Lucas e Elkeson apoiados por Andrezinho. Fellype, então, passou se posicionar mais centralizado, ajudando nas tabelas perto da área. Paralelamente, continha os avanços de Fagner, deixando para Márcio Azevedo apenas a tarefa de evitar a velocidade de Eder Luís. Aos 33 minutos, provando ser iluminado contra o rival cruz-maltino, o xodó do chefe aproveitou bobeira da zaga e apareceu por trás para concluir, de pé direito, no ângulo de Fernando Prass e abrir o marcador. Era seu terceiro gol sobre o time da Colina na sexta partida - antes, pelo Flamengo, em 2005, e pela Lusa, em 2009, também havia feito.
Mas a noite de protagonista não parou aí. O segundo gol saiu antes do fim da primeira etapa, em erro do zagueiro Rodolfo. Como um autêntico artilheiro, Fellype assumiu o papel de Loco Abreu e já começava a marcar seu nome na história do clássico. Antes do intervalo, um susto. Assim como contra o Volta Redonda, há duas semanas, sofreu uma pancada forte na cabeça e ficou zonzo. Recuperou-se e, apesar do atendimento e dos cuidados, não foi preciso substitui-lo. 
O ato final do show ficou para o finzinho. O jogo estava complicado, com o Vasco pressionando após reduzir a diferença. Em jogada de Jobson, pela esquerda, o meia completou para as redes e alçou para cinco o número de gols em cima do Vasco, cravando a trinca pela primeira vez na carreira. Daí em diante, se ausentou do campo de ataque e foi mais um no bloqueio ao adversário, que teve raras chances. Aos 40 minutos, exausto, pediu para sair e foi ovacionado pela torcida alvinegra, que, timidamente, começa a esquecer o passado e enxergá-lo com bons olhos. 
- Não chegaria a dizer que foi um divisor de águas, mas foi importante. Quero realmente que essa concepção de jogo se contamine e se alastre. Tenho repetido muito, desde que cheguei aqui, citando exemplos, mostrando fotos, que o jogador tem de desenvolver capacidades diferentes. Não posso permitir que o atacante não se empenhe na função de marcação. Na Europa, no Japão, a mentalidade já ultrapassou as barreiras que se encontra aqui. Que os companheiros se estimulem com a atuação dele. Às vezes, você acha que não dá para fazer ou continuar, mas sempre tem um algo mais escondido - declarou o técnico.

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